Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Homenagem a Rosa Lobato de Faria que faleceu no passado dia 2 de Fevereiro de 2010 vitima de uma anemia grave!!!

Pessoal hoje trago-vos uma noticia um pouco triste...

 

Rosa Lobato de Faria

http://aeiou.expresso.pt/users/1939/193931/rosa-lobato-de-faria-4ad9.jpg

Biografia

Filha de um oficial da Marinha, Rosa Lobato de Faria cresceu entre Lisboa e Alpalhão, no Alentejo. Era viúva de Joaquim Figueiredo Magalhães, editor literário, desde 26 de Novembro de 2008.

Enveredou pela representação ao participar, na televisão, em séries (1987 - Cobardias, 1988 - A Mala de Cartão, 1992 - Crónica do Tempo, 1992 - Os Melhores Anos), sitcoms (1987 - Humor de Perdição, 1990 - Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça, 2002 - A Minha Sogra é uma Bruxa, 2006 - Aqui Não Há Quem Viva) e novelas (1982 - Vila Faia, 1983 - Origens, 2004 - Só Gosto de Ti, 2005 - Ninguém como Tu). Assinou o argumento de Humor de Perdição (1987), Passerelle (1988), Pisca-Pisca (1989), Nem o Pai Morre Nem a Gente Almoça (1990), Telhados de Vidro (1994) e Tudo ao Molho e Fé em Deus (1995).

Como romancista, publicou os livros O Pranto de Lúcifer (1995), Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camila (1997), Romance de Cordélia (1998), O Prenúncio das Águas (1999), galardoado com o Prémio Máxima de Literatura em 2000, A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004) e A Flor do Sal (2005). Em co-autoria participou em Os Novos Mistérios da Estrada de Sintra e Código d' Avintes. Para além disto publicou contos infantis (A Erva Milagrosa, As quatro Portas do Céu e Histórias de Muitas Cores).

Na poesia foi autora de A Gaveta de Baixo, longo poema inédito, acompanhado de aguarelas de Oliveira Tavares, estando o resto da sua obra reúnida no volume Poemas Escolhidos e Dispersos (1997). Para o teatro escreveu as peças A Hora do Gato, Sete Anos – Esquemas de um Casamento e A Severa. Foi ainda a letrista que, a par de José Carlos Ary dos Santos, permanece como a mais bem sucedida no Festival RTP da Canção, tendo obtido quatro vezes o primeiro lugar com Amor de Água Fresca (1992), Chamar a Música (1994), Baunilha e Chocolate (1995) e Antes do Adeus (1997).

Experimentou o cinema, sob a direcção de João Botelho, em Tráfico (1998) e A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América (2003), além dos filmes de Lauro António, Paisagem Sem Barcos (1983) e O Vestido Cor de Fogo (1986) e de Monique Rutler, 'Jogo de Mão (1984).

Rosa Lobato de Faria era uma das escritoras e actriz que será sempre lembrada pelos seus papéis em novelas e por ter escrito letras de músicas para vários cantores.

Rosa Lobato de Faria morreu a 2 de Fevereiro de 2010 em Lisboa, aos 77 anos de uma anemia grave.

 

Uma das entrevistas feitas à actriz...

RENASCER AOS 63 ANOS

http://www.cienciahoje.pt/files/39/39319.jpg

Não dá respostas estereotipadas - conta histórias. Rosa Lobato de Faria, revela fragmentos de vida.
Não usa a capacidade criativa para se transfigurar numa personagem romanesca - é autêntica.
Por vezes, desconcertantemente.

Maneja a ironia com a mesma naturalidade com que deixa escorrer a ternura ou diz: "Morrer é uma coisa fascinante".
Rosa Lobato Faria - Ao longo da minha vida sempre escrevi poesia. Nos bons e maus momentos. Grande poetisa não era, senão já se tinha dado por isso. Mas o facto de escrever sempre poesia (claro, também escrevia prosa, aí a partir dos 30 anos. Encomendavam-me crónicas, contos, um texto para aqui outro para ali). Mas porque é que nunca me passou pela cabeça dizer "Vou escrever um romance"?
Autores - É uma boa pergunta, pelo menos depois de conhecermos o fim da história, ou seja, a sua capacidade de escrita e criatividade... Porque terá sido?
RLF - Por duas razões. Uma porque a poesia é uma coisa que vem ter connosco, não se procura. Não dá trabalho nenhum, surge inteira, passa-se para o papel e já está. É um exercício de síntese, por excelência. E essa, achava eu, era a minha vocação. Por outro lado, a prosa, ou seja, o romance, é um exercício de análise e essa análise implica pesquisa, eventualmente. Eu não me achava minimamente vocacionada para essas coisas. Nem sequer era uma ambição longínqua. Ao contrário das pessoas que dizem que adoravam escrever um romance, eu nunca tive esse pensamento. Essas duas razões, a análise e a pesquisa, deitavam por terra qualquer veleidade que eu tivesse de escrever prosa. Mas não tinha sequer essa veleidade. E, um dia, quando eu tinha 63 anos, Deus quis que eu nascesse de novo. Contaram-me uma história e eu fiquei a pensar nela. Aquela história não me largava a cabeça. E eu dizia para mim "Isto é um conto, tenho que escrever este conto, senão não me vejo livre desta maçada". E escrevi. Quando reparei tinha 240 páginas A4 e pensei "Isto se calhar é um bocadinho mais que um conto". Efectivamente, era um romance.
A - E que aconteceu depois?
RLF - Depois tudo ocorreu de uma maneira quase mágica. Pedi a dez amigos, muito diferentes, com diferentes formações académicas, de diferentes idades e extractos sociais, que lessem aquilo e me dissessem se era publicável. Eles acharam que sim. Mas não me propunha ir com aquela coisa debaixo do braço a sítio nenhum mostrar. Não me sentia capaz de andar de editora em editora a pedir para lerem o romance. Eu já era uma figura pública nessa altura, devido ao meu trabalho na televisão, primeiro pela poesia, desde 1961, e depois pelas novelas. Toda a gente me conhecia e eu não me via no papel do macaquinho que faz todas as habilidades. Não queria ir às editoras com aquilo. Estava neste pequeno desconforto - "Tenho aqui um romance mas não o vou mostrar" - quando recebi um telefonema de uma editora. Era a ASA. Menos de uma hora depois desse telefonema recebi uma carta da D.Quixote a convidar-me para editar o romance. Comecei a achar que aquilo era um filme de ficção científica e não estava a acontecer. Nesse mesmo dia, quando o meu marido chegou a casa, ao fim da tarde disse-me: "Olha, encontrei Fulano de tal da Bertrand que quer publicar o teu livro". Tudo no mesmo dia! "Isto só pode ser combinado no céu", pensei. Eu, como sou crente, acredito nos anjos e que os anjos é que me escrevem os livros, sou assim um bocado esotérica, achei aquilo um sinal de que de facto eu tinha de mandar o livro para a frente e publicá-lo.
A - Antes desse golpe de magia, fez muita coisa, mas o que a tornou conhecida foi a televisão...
RLF - Em duas palavras, posso explicar porque é que eu fazia televisão. Sempre quis ser actriz. Sobretudo a partir dos 11 anos quando subi a um palco pela primeira vez, a dizer poesia, claro, e fui tão aplaudida, porque aquilo era uma festa de colégio e os outros tinham as palminhas da família e eu tive uma sala inteira de pé a dizer bravo. E eu, com onze anos disse "Eh pá, aqui é que se está bem, quero isto para mim". O ego de todo o tamanho, era maior que eu. E decidi que queria ser actriz. Tinha uma belíssima dicção porque a minha mãe não nos deixava dizer uma ao lado, tudo tinha que ser perfeito e em português correcto. Senti também uma coisa, que mais tarde confirmei, é que o palco tem... uma energia, que entra nas pessoas e que nos faz sentir bem. Felizes. Agora também sinto isso quando estou a escrever, mas então não sabia que isso me iria acontecer 52 anos mais tarde.
A - Voltando às duas palavras...
RLF - Um dia, tinha 29 anos, concorri a um lugar de locutora na RTP e fiquei. Uma das primeiras coisas que me deram foi a leitura de uma espécie de noticiário cultural, onde só se dava notícia dos livros saídos quando os autores eram a favor do regime. Eram poucos e maus. Havia duas actrizes que iam dizer os poemas dos livros, quando se tratava de poesia. Um belo dia, nem uma nem outra puderam ir por qualquer impedimento particular, e o Miguel Araújo, que era o produtor do programa perguntou-me se eu era capaz de dizer os poemas. Ora, foi o que eu quis ouvir. E comecei a fazer as duas coisas. Então, era tudo em directo. Eu lia as notícias e depois ia, pé-ante-pé, como a Pantera Cor-de-Rosa, para o microfone e de repente tinha que me lembrar do poema. Acabado o poema, lá ia eu para as notícias, para depois voltar a fazer o mesmo trajecto e dizer outro poema. Era terrível, era muito cansativo, e era, como se diz na velha gíria portuguesa, galinha gorda por pouco dinheiro. Pagavam-me o mesmo pelos dois trabalhos. Eu disse ao Miguel Araújo que assim não podia ser e depois fiquei só a dizer poesia. Durante 14 anos. Até 1975. Mas fiquei sempre ligada à televisão.
A - Como se processa a sua entrada nas novelas?
RLF - Da maneira mais simples do mundo. Quando começaram aqui as novelas brasileiras, dizia para mim própria que devia ter jeito para aquilo. Como é óbvio, com os impedimentos todos que havia na época da minha juventude, familiares e sociais, nunca tive formação de actriz. Passava-se tudo na minha cabeça, achava que sabia, E quando se pensou fazer aqui a "Vila Faia", escrevi ao Nicolau dizendo-lhe: "Se precisares de uma quarentona de bom aspecto, acho que sou capaz de fazer um papel. Põe-me à prova". E o Nicolau chamou-me. Fui lá fazer um teste e fiquei logo mulher do Ruy de Carvalho. Nem queria acreditar: fazer de mulher do melhor actor e de nora da Mariana Rey Monteiro, por quem tenho a maior veneração. Claro, aprendi com eles, o que eu sabia não era nada. Depois foram-me chamando para fazer muita coisas. Ainda hoje me chamam. Como não faço plásticas, tenho a sorte de poder fazer os papéis de velhas. Já não há velhas, não é? As velhas ou morreram ou fizeram plásticas, portanto não sobrou nenhuma, sobrei eu. De vez em quando, quando é preciso uma velha, lá me vão chamar.
A - E passa da representação para a escrita, nas telenovelas. Como é que se dá a transição?
RLF - Não há exactamente uma transição. Eu estou ligada às telenovelas, sinto-me impelida a escrever também telenovelas. Deu-se, inclusivamente, o caso de escrever novelas em que entrei. Como eu digo, é tudo um bocado a mesma coisa. Mas hoje em dia não escreveria uma telenovela porque é um trabalho escravo. E eu já não tenho paciência.
A - É muito violento?
RLF - É necessário escrever sessenta páginas por dia. Eu sou capaz de escrever 60 páginas num dia, sou capaz de escrever 120 em dois dias, mas já não sou capaz de escrever 60 páginas todos os dias durante dez meses. Domingos, feriados, dia de Natal... não sou capaz. Tenho vida. Há uma vida para além das telenovelas.RENASCER AOS 63 ANOS


Não dá respostas estereotipadas - conta histórias. Rosa Lobato de Faria, revela fragmentos de vida.
Não usa a capacidade criativa para se transfigurar numa personagem romanesca - é autêntica.
Por vezes, desconcertantemente.

Maneja a ironia com a mesma naturalidade com que deixa escorrer a ternura ou diz: "Morrer é uma coisa fascinante".
Rosa Lobato Faria - Ao longo da minha vida sempre escrevi poesia. Nos bons e maus momentos. Grande poetisa não era, senão já se tinha dado por isso. Mas o facto de escrever sempre poesia (claro, também escrevia prosa, aí a partir dos 30 anos. Encomendavam-me crónicas, contos, um texto para aqui outro para ali). Mas porque é que nunca me passou pela cabeça dizer "Vou escrever um romance"?
Autores - É uma boa pergunta, pelo menos depois de conhecermos o fim da história, ou seja, a sua capacidade de escrita e criatividade... Porque terá sido?
RLF - Por duas razões. Uma porque a poesia é uma coisa que vem ter connosco, não se procura. Não dá trabalho nenhum, surge inteira, passa-se para o papel e já está. É um exercício de síntese, por excelência. E essa, achava eu, era a minha vocação. Por outro lado, a prosa, ou seja, o romance, é um exercício de análise e essa análise implica pesquisa, eventualmente. Eu não me achava minimamente vocacionada para essas coisas. Nem sequer era uma ambição longínqua. Ao contrário das pessoas que dizem que adoravam escrever um romance, eu nunca tive esse pensamento. Essas duas razões, a análise e a pesquisa, deitavam por terra qualquer veleidade que eu tivesse de escrever prosa. Mas não tinha sequer essa veleidade. E, um dia, quando eu tinha 63 anos, Deus quis que eu nascesse de novo. Contaram-me uma história e eu fiquei a pensar nela. Aquela história não me largava a cabeça. E eu dizia para mim "Isto é um conto, tenho que escrever este conto, senão não me vejo livre desta maçada". E escrevi. Quando reparei tinha 240 páginas A4 e pensei "Isto se calhar é um bocadinho mais que um conto". Efectivamente, era um romance.
A - E que aconteceu depois?
RLF - Depois tudo ocorreu de uma maneira quase mágica. Pedi a dez amigos, muito diferentes, com diferentes formações académicas, de diferentes idades e extractos sociais, que lessem aquilo e me dissessem se era publicável. Eles acharam que sim. Mas não me propunha ir com aquela coisa debaixo do braço a sítio nenhum mostrar. Não me sentia capaz de andar de editora em editora a pedir para lerem o romance. Eu já era uma figura pública nessa altura, devido ao meu trabalho na televisão, primeiro pela poesia, desde 1961, e depois pelas novelas. Toda a gente me conhecia e eu não me via no papel do macaquinho que faz todas as habilidades. Não queria ir às editoras com aquilo. Estava neste pequeno desconforto - "Tenho aqui um romance mas não o vou mostrar" - quando recebi um telefonema de uma editora. Era a ASA. Menos de uma hora depois desse telefonema recebi uma carta da D.Quixote a convidar-me para editar o romance. Comecei a achar que aquilo era um filme de ficção científica e não estava a acontecer. Nesse mesmo dia, quando o meu marido chegou a casa, ao fim da tarde disse-me: "Olha, encontrei Fulano de tal da Bertrand que quer publicar o teu livro". Tudo no mesmo dia! "Isto só pode ser combinado no céu", pensei. Eu, como sou crente, acredito nos anjos e que os anjos é que me escrevem os livros, sou assim um bocado esotérica, achei aquilo um sinal de que de facto eu tinha de mandar o livro para a frente e publicá-lo.
A - Antes desse golpe de magia, fez muita coisa, mas o que a tornou conhecida foi a televisão...
RLF - Em duas palavras, posso explicar porque é que eu fazia televisão. Sempre quis ser actriz. Sobretudo a partir dos 11 anos quando subi a um palco pela primeira vez, a dizer poesia, claro, e fui tão aplaudida, porque aquilo era uma festa de colégio e os outros tinham as palminhas da família e eu tive uma sala inteira de pé a dizer bravo. E eu, com onze anos disse "Eh pá, aqui é que se está bem, quero isto para mim". O ego de todo o tamanho, era maior que eu. E decidi que queria ser actriz. Tinha uma belíssima dicção porque a minha mãe não nos deixava dizer uma ao lado, tudo tinha que ser perfeito e em português correcto. Senti também uma coisa, que mais tarde confirmei, é que o palco tem... uma energia, que entra nas pessoas e que nos faz sentir bem. Felizes. Agora também sinto isso quando estou a escrever, mas então não sabia que isso me iria acontecer 52 anos mais tarde.
A - Voltando às duas palavras...
RLF - Um dia, tinha 29 anos, concorri a um lugar de locutora na RTP e fiquei. Uma das primeiras coisas que me deram foi a leitura de uma espécie de noticiário cultural, onde só se dava notícia dos livros saídos quando os autores eram a favor do regime. Eram poucos e maus. Havia duas actrizes que iam dizer os poemas dos livros, quando se tratava de poesia. Um belo dia, nem uma nem outra puderam ir por qualquer impedimento particular, e o Miguel Araújo, que era o produtor do programa perguntou-me se eu era capaz de dizer os poemas. Ora, foi o que eu quis ouvir. E comecei a fazer as duas coisas. Então, era tudo em directo. Eu lia as notícias e depois ia, pé-ante-pé, como a Pantera Cor-de-Rosa, para o microfone e de repente tinha que me lembrar do poema. Acabado o poema, lá ia eu para as notícias, para depois voltar a fazer o mesmo trajecto e dizer outro poema. Era terrível, era muito cansativo, e era, como se diz na velha gíria portuguesa, galinha gorda por pouco dinheiro. Pagavam-me o mesmo pelos dois trabalhos. Eu disse ao Miguel Araújo que assim não podia ser e depois fiquei só a dizer poesia. Durante 14 anos. Até 1975. Mas fiquei sempre ligada à televisão.
A - Como se processa a sua entrada nas novelas?
RLF - Da maneira mais simples do mundo. Quando começaram aqui as novelas brasileiras, dizia para mim própria que devia ter jeito para aquilo. Como é óbvio, com os impedimentos todos que havia na época da minha juventude, familiares e sociais, nunca tive formação de actriz. Passava-se tudo na minha cabeça, achava que sabia, E quando se pensou fazer aqui a "Vila Faia", escrevi ao Nicolau dizendo-lhe: "Se precisares de uma quarentona de bom aspecto, acho que sou capaz de fazer um papel. Põe-me à prova". E o Nicolau chamou-me. Fui lá fazer um teste e fiquei logo mulher do Ruy de Carvalho. Nem queria acreditar: fazer de mulher do melhor actor e de nora da Mariana Rey Monteiro, por quem tenho a maior veneração. Claro, aprendi com eles, o que eu sabia não era nada. Depois foram-me chamando para fazer muita coisas. Ainda hoje me chamam. Como não faço plásticas, tenho a sorte de poder fazer os papéis de velhas. Já não há velhas, não é? As velhas ou morreram ou fizeram plásticas, portanto não sobrou nenhuma, sobrei eu. De vez em quando, quando é preciso uma velha, lá me vão chamar.
A - E passa da representação para a escrita, nas telenovelas. Como é que se dá a transição?
RLF - Não há exactamente uma transição. Eu estou ligada às telenovelas, sinto-me impelida a escrever também telenovelas. Deu-se, inclusivamente, o caso de escrever novelas em que entrei. Como eu digo, é tudo um bocado a mesma coisa. Mas hoje em dia não escreveria uma telenovela porque é um trabalho escravo. E eu já não tenho paciência.
A - É muito violento?
RLF - É necessário escrever sessenta páginas por dia. Eu sou capaz de escrever 60 páginas num dia, sou capaz de escrever 120 em dois dias, mas já não sou capaz de escrever 60 páginas todos os dias durante dez meses. Domingos, feriados, dia de Natal... não sou capaz. Tenho vida. Há uma vida para além das telenovelas.

 

Novo livro de Rosa Lobato de Faria lançado na próxima semana

http://aeiou.caras.pt/data/i/1c017f227ef749668044caa3a1596fea.jpg

«A Menina e o Cisne» da escritora Rosa Lobato de Faria, falecida esta terça-feira em Lisboa, vai ser lançado na próxima semana pela Oficina do Livro.

Num comunicado enviado à agência Lusa, o grupo editorial Leya refere que «foi com tristeza» que a equipa recebeu a notícia do falecimento de Rosa Lobato de Faria, na sequência de uma anemia grave, e envia «sentidas condolências» à família.

Falecida aos 77 anos, a poeta, romancista e actriz publicou a maior parte da obra pela editora ASA, agora integrada no grupo Leya. Pela Oficina do livro, Rosa Lobato de Faria publicou quatro livros infantis e outros em coautoria.

Além de «A Menina e o Cisne», novo livro da autora, adianta a Leya, está ainda prevista para breve a publicação, pela ASA, da obra que inaugura a «Biblioteca Rosa Lobato de Faria», projecto cuja criação, a escritora «entusiasticamente acompanhou».

«O pranto de Lúcifer» (1995), «A trança de Inês» (2001), «O sétimo véu» (2003) e «A alma trocada» (2007), estão entre as obras da sua autoria, algumas delas traduzidas em Espanha, França e Alemanha.

O corpo da actriz estará em câmara ardente a partir das 12:00 de quinta-feira na Igreja da Santa Isabel, em Lisboa.

O funeral da actriz e escritora Rosa Lobato Faria, realiza-se esta quinta-feira, cerca das 16:00, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa, antecedido por uma missa de corpo presente.

 

Morreu, aos 77 anos, a escritora Rosa Lobato de Faria

Morreu hoje, em Lisboa, Rosa Lobato de Faria. A escritora e actriz sofria de complicações do aparelho digestivo e estava hospitalizada na decorrência de uma anemia grave. 

http://www.destak.pt/pics/40/40849/rosa-lobato-faria-cred.-record-230.jpg

 


Morreu Rosa Lobato de Faria aos 77 anos de idade. Até sempre querida sogra (CASAMENTO DE SONHO TVI!)

 

 

 

A escritora Rosa Lobato de Faria morreu hoje em Lisboa.

 

A actriz e escritora estava internada num hospital privado, há uma semana, devido a uma anemia grave. O estado de saúde de Rosa Lobato Faria tinha-se tornado frágil depois de uma infecção intestinal no Verão de 2009, que obrigou a uma intervenção cirúrgica de emergência.


 

Rosa Lobato de Faria nasceu em 1932. Tornou-se conhecida do público como actriz ao participar em séries televisivas dramáticas (Cobardias, A Mala de Cartão, Os Melhores Anos), de humor (Humor de Perdição, Nem o Pai Morre, Nem a Gente Almoça) e telenovelas (Vila Faia, Origens, Ninguém como Tu). Foi também argumentista de programas televisivos.

No cinema entrou em filmes de João Botelho (Tráfico e A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América), Lauro António (Paisagem Sem Barcos e O Vestido Cor de Fogo) e Artur Semedo (O Barão de Altamira), entre outros.

Como escritora, estreou-se tarde, em 1995, com O Pranto de Lúcifer. Recebeu o prémio Máxima de Literatura 2000 por O Prenúncio das Águas. No total publicou doze romances e o seu trabalho poético encontra-se reunido no volume Poemas Escolhidos e Dispersos, editado em 1997.  Alguma da sua obra encontra-se traduzida e publicada em Espanha, França e Alemanha. Escreveu ainda diversos livros infantis.

 

Gravou, para a 101 Noites, o audiolivro O Gigante Egoísta e Outros Contos.

Foi ainda letrista de canções, com sucesso no Festival RTP das Canções - obteve quatro vezes o primeiro lugar, com Amor de Água Fresca, Chamar a Música, Baunilha e Chocolate e Antes do Adeus.

 

 

 

Em comunicado, a actual editora de Rosa Lobato Faria, a Porto Editora, já veio comunicar o falecimento e confessar o «enorme pesar» que a notícia provoca, aproveitando para endereçar condolências à família.

 

 


Rosa Lobato de Faria em "A Minha Sogra é Uma Bruxa"...

 

 

A Minha Sogra é uma Bruxa - 2x25 (Parte 3/3)

 

Rosa Lobato de Faria 1932 - 2010...

http://3.bp.blogspot.com/_vHfhEO08cCE/SPeHrNitxyI/AAAAAAAAKco/BTumsog6xM0/s400/ROSA+LOBATO+DE+FARIA.jpg

Re_em_causa_propria 

Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente

 

Texto de Rosa Lobato de Faria

publicado por Rickymcdread às 23:57
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